Podemos dizer que a história da natação se confunde com as águas abertas desde os primórdios (da história) a natação só foi praticada em locais de águas abertas: rios, lagoas, enseadas, baias e mesmo em mar aberto o advento das piscinas é bem recente. As primeiras piscinas eram pontões em rios ou à beira de atracadouros e portos ou seja com água corrente natural. Piscinas como conhecemos é mais recente: teve o seu grande desenvolvimento a cerca de sessenta, cinqüenta anos atrás, de tal maneira que criou-se uma espécie de preconceito com a prática de natação em águas abertas. Passou a ser moderno praticar natação em tanques fechados com água tratada e mais transparente: “Águas turvas, escuras era considerado locais impuros”.
Primeiras, provas em águas abertas: eram mais feitos épicos, individuais que tinham mais o carater de desafio do que competição como conhecemos hoje.
Feitos históricos marcantes: Poderíamos citar vários mas vamos ficar com a proeza do assim chamado herói : Leandro, um grego, que afastado de sua amada, a sacerdotisa Hero, pelo estreito de Dardanelos, que separa a Ásia de Europa, fazia todas as noites esta travessia de cerca de 1.300 metros, ao anoitecer e antes de clarear o dia retornava. Sua amada iluminava com uma tocha do alto de uma colina, orientando a sua rota. Séculos mais tarde (em 1830 aproximadamente) o inglês Lord Byron, um filósofo, poeta e esportista fez ele mesmo a tal travessia provando não ser uma lenda...
Comandantes militares: Durante vários momentos da história vários comandantes como o Imperador Romamo Julio César ou mais recentemente o líder comunista Chinês Mao Tse Tung demonstraram suas habilidades nadando longos trechos em travessia.
Modernamente a travessia mais famosa é a do canal da mancha. Em 1875 o Inglês Matthew Webb pela primeira vez conseguiu com êxito vencer a travessia no tempo de 21 horas utilizando nado peito clássico. O crawl não era conhecido até então.
As primeiras travessias em crawl: Thomas Burgess, Franco/Inglês, em 1911 em 13 horas, Gertrudes Ederle, Americana: primeira mulher em 1926 com 14 horas e 31 minutos, primeiro Brasileiro: Abílio Couto (1959) recordista (na época) no sentido Inglaterra França (de Dover a Pais du Calais) e ida e volta sem parar (38 horas) a distância em linha reta é de 35 Km mas não dá para fazê-lo assim, devido as correntes tem que se adaptar a elas. O grande adversário deste desafio é a temperatura: 15º na sua melhor época (agosto).
Primeiras travessias competitivas como conhecemos hoje no Brasil: Há setenta anos atrás aproximadamente surgiram a do rio Tietê em São Paulo, a da enseada do Botafogo, no Rio a do Rio Negro em Manaus, a do Rio Capibaribe no Recife, a da Baia de Todos os Santos em Salvador, a de Rio Grande (São José do Norte a Rio Grande) destas as primeiras deixaram de ser realizadas alguns anos mais tarde pelo surgimento da poluição devido ao crescimento desordenado das grandes cidades. Subsistem a de Salvador e a de Rio Grande no Rio Grande do Sul (a mais antiga do sul do Brasil, tendo mais de sessenta realizações.)
Com a poluição citada acima e com a construção de piscinas, a partir dos anos 50, estas provas foram perdendo sua importância ou desaparecendo. A ênfase era para a natação de distâncias mais curtas.
Natação em maratonas nos tempos atuais: Como a FINA não demonstrava interesse nestas provas um grupo de nadadores amadores e profissionais fundaram a Federação Internacional de Natação de Longa Distância (FINLD) em 1952. Esta federação aceitava os nadadores profissionais uma vez que a FINA era irredutível quanto ao espírito amadorístico não admitindo qualquer tipo de prêmio. Durante vários anos foram realizados os campeonatos mundiais supervisionados por esta nova federação com prêmios em dinheiro inclusive... Mais recentemente com as mudanças dos critérios do amadorismo pelo COI a FINA incorporou a FINLD e passou a supervisionar os campeonatos mundiais. Existe hoje a intenção de incluir as provas de águas abertas nos jogos olímpicos. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, CBDA supervisiona os campeonatos de águas abertas já a alguns anos.
Hoje os campeonatos mundiais de natação tem cinco modalidades: Águas abertas (5.000 e 10.000 metros), nado sincronizado, natação, pólo-aquático e saltos ornamentais. Enfim as competições em águas abertas é um retorno à natureza e acompanhou a mudança filosófica que transformou o mundo nos últimos trinta anos com a preocupação com os aspectos ambientais e equilíbrio do homem com a natureza. Viva estes novos tempos!
Colaboração: Professor Alceu Vernieri Vaz
Consultor