Quarta, 19 de Novembro de 2008   
   

Curiosidades e Histórias dos Campeonatos Mundiais

Por Guillem Alsina

O único campeão mundial brasileiro sagrou-se o 2 de agosto do 1982, na quarta edição destes Mundiais, disputados na piscina "Alberto Vallarino" de Guaiaquil, no Equador. Ricardo Prado, 17 anos, tinha-se classificado para esta final com o melhor tempo de 4,24"55, e fazia figura de favorito para o título. Depois de deixar que o soviético Sergei Fesenko comandasse a prova no parcial de borboleta, 58"12 por 58"86, com o terceiro, o alemão da Alemanha Oriental Jens-Peter Berndt, longe deles, 59"71. Aproveitando que o costas era o seu melhor estilo, Prado tomou a cabeça da prova com energia, distanciando-se dos seus seguidores, 2,02"41 por 2,05"55 do alemão, agora segundo, e Fesenko terceiro com 2,07"55. O brasileiro estava agora muito por debaixo do recorde mundial do portorriquenho-norteamericano Jesse Vasallo (59"99 e 2,03"53).

Sem ser inquietado por nenhum dos seus rivais, Prado cobriu os 100m.peito em 1,16"83, para um total de 3,19"24, nove centésimos acima do recorde de Vasallo, embora com muita vantagem sobre Fesenko, que tinha recuperado o segundo lugar, 3,21"51, e Berndt, 3,23"37. No percurso de crawl foi onde o brasileiro cimentou o seu duplo triunfo, título e recorde mundial, com um tempo de 1,00"54, terminou a prova com um total de 4,19"78, abaixando em 27 centésimos o recorde de Vasallo, os 4,20"05 que lhe tinham proporcionado estes dois mesmos títulos nos anteriores Mundialis disputados em 1978 em Berlin.

Ricardo Prado disputou ainda mais três provas individuais em Guaiaquil : nos 200m.borbo foi quarto com um tempo de 2,00"30, a só 22 centésimos do norteamericano Carig Beardsley, medalha de bronze depois de virar sétimo nos 50m., 27"87, 5º nos 100m., 58"40, e quarto ja nos 150m., 1,29"30; nos 200m. costas andou no último lugar das finais com tempos de 2,04"38 (2,04"33 nas eliminatórias), enquanto que nos 200m. Medley fez o segundo melhor tempo das eliminatórias, 2,04"91m e quando podia esperar-se uma luta para o título, saiu já no borboleta em último lugar, 27"62, e daí já não mais saiu, 59"24 na virada de costas, 1,37"14 no de peito, e 2,07"34 ao final da prova. Influiu nele a descontração lógica até certo ponto, do título mundial conseguido cinco dias antes? É muito possível. Prado também formou parte dos revezamentos de 4x100m.medley, oitavo da final, 3,55"72 (Prado 59"22 - Luiz Carvalho 1,07"15 - Cyro Delgado 56"56 e Jorge Fernandes 52"79), embora nas eliminatórias tiveram conseguido um melhor tempo, 3,52"83, com Prado 58"09 - Carvalho 1,06"30 - Delgado 56"41 e Fernandes 52"03.

Ricardo Prado tem sido o único brasileiro a subir ao caixão mais alto do pódium, mas não o único que se subiu nele. Rômulo Arantes, um nadador de costas, foi, cronológicamente, o primero brasileiro que ganhou uma medalha nos Campeonatos Mundiais. Foi na terceira edição, disputada no 1978 em Berlin, quando Arantes conseguiu a medalha de bronze dos 100m.costas, tinha assinalado o quinto melhor tempo das eliminatórias, 58"66, por detrás dos dois norte-americanos, Jackson e Rocca, 56"95 e 57"43; do soviètico Kuznetsov, 57"56, e do neozelandês Hurring, 58"33. Na final, Arantes, virou no quinto lugar, 27"70, atrás daqueles quatro nadadores, e manteve o seu lugar ao final da prova, quinto em 58"01. Os juízes desclassificaram o neozelandés por toque incorreto na virada, e Arantes foi quarto. No último dia dos Campeonatos soube-se que o soviético Kuznetsv tinha sido desclassificado por "doping" (anabolizantes) e o brasileiro foi sagrado terceiro destes "rocambolescos" 100m.costas.

As outras duas medalhas de bronze foram conseguidas nos Campeonatos disputados em Roma-1994, na sétima ediçao. Gustavo Borges, 22 anos, tinha-se classificado para a final com o segundo melhor tempo das eliminatórias, 49"57, por detrás do "czar" Popov, 49"33, e por diante de Gary Hall, 49"85, únicos que tinham nadado por debaixo dos 50 segundos. Na final, Borges fez a virada em terceiro lugar, 23"85, detrás de Hall, 23"48, e Popov, 23"60, e conseguiu manter este terceiro lugar ao final, 49"52, por detrás de Popov, 49"12, e Hall, 49"41.

Nos 4x100m.livres, a equipa brasileira formada por Scherer, Ferreira, Teixeira e Borges, fez o melhor tempo das eliminatórias, 3,21"39, por diante dos Estados Unidos, 3,21"69, e a Alemanha, 3,21"82. Na final, Scherer lançou a equipe com 50"05, seguiu-se Ferreira, 49"85, Teixeira, 50"91, sempre no terceiro lugar, detrás dos Estados Unidos e da Rússia até o último homem, onde Borges, com ums magnificos 48"28, deu ao Brasil o terceiro posto, 3,19"35, por detrás dos Estados Unidos, 3,16"90, recorde mundial, e Rússia, 3,18"12, e por diante da Alemanha, 3,19"76, e Suécia, 3,19"77.

Houve algums mais finalistas brasileiros nestes Campeonatos Mundiais :

Belgrado-1973 : Rui Aquino 8º nos 100m.livres; Rómulo Arantes 7º nos 100m.costas; o quarteto dos 4x100m.livres (Oliveira-Namorado-Huxley-Aranha) 5º;

Berlin-1978 : Djan Madruga 8º nos 1.500m.livres (retirado aos 1.000n.);

Guaiaquil-1982 : Cyro Delgado 7º nos 200m.livres; o quarteto de 4x200m.livres (Delgado-Fernandes-Juca-Madruga) 7º.

Madrid-1986 : Ricardo Prado 7º nos 400m.medley;

Roma-1994 : Gustavo Borges 4º nos 50m.livres;

Perth-1998 : Fernando Scherer 8º nos 50m.livres; Gustavo Borges 5º nos 100m.livre e 8º nos 200m.livres; Luiz Lima 6º dos 1.500m.livres de Perth-1998; o quarteto dos 4x100m.livres (Scherer-Filho-Cordeiro-Borges) 6º;

Fukuoka-2001 : o quarteto de 4x100m.livres, que foi desclassificado.

Em mulheres, Nayara Ribeiro foi a única finalista com o seu oitavo lugar nos 1.500m.livres conseguido em Fukuoka-2001,

Quer dizer, únicamente nos Campeonatos de Calí-1975 e Perth-1991 a natação brasileira não teve nenhum finalista nas provas de natação (Ele considera apenas as finais A em todos os casos).


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Mais a mais do Ricardo Prado pode ser interessante recordar aos nossos "inter-nauras" os outros três brasileiros que foram recordistas mundiais ao longo destes noventa cinco anos em que a FINA homologou os recordes mundiais : o primeiro recorde mundial batido por um brasileiro, neste caso por uma brasileira, foi para a Maria Lenk (felizmente ainda nas piscinas) que o 11 de outubro do 1939, numa piscina de 25 metros no Rio de Janeiro, conseguiu un tempo de 6,15"8 nos 400m.peito (distância que naquele tempo a FINA homologava, e que só se deixou de homologar em 1950), nadando toda a distância em borboleta, um feito que nunca se tinha visto, muito menos em mulheres. Lenk abaixou o recorde da dinamarquesa Inge Sorensen, 6,16"2 em 18 de Janeiro daquele mesmo ano, e o perdeu no ano seguinte a manos da holandesa Johanna Waalberg, 6,13"7 em 12/11/40, qundo já se tinha começado a Segunda Guerra Mundial. Poucos dias depois, 8 de Novembro do 1939, na mesma piscina, Maria Lenk abaixava o recorde mundial dos 200m.peito, em poder da holandesa Waalberg, 2,56"9 em 2/10/37, para 2,56"0, recorde que perdeu quase sete anos depois, em 17 de Agosto do 1946, a mãos, e pés, de outra holandesa, Nelly Van Vliet, 2,52"6.

O segundo recordista mundial foi o velocista Manoel "Manoelzinho" dos Santos, que o 20 de setembro do 1961 fez um tempo de 53"6 na piscina de Guanabara, 50 metros e água salgada, superando os 54"4 do norte-americano Steve Clark em 18 de Agosto do mesmo ano. Manoel dos Santos perdeu o seu recorde em 13 de setembro do 1964, quando o francês Alain Gottvalles fez 52"9 em Budapest.

O terceiro recordista mundial para a natação brasileira foi para o peitista José Silvio Fiolo que, em 19 de fevreiro do 1968, na mesma piscina de Guanabara, fez um tempo de 1,06"4 nos 100m. peito, abaixando em três décimos a recorde do soviético Vladimir Kossinski (08/11/67). Fiolo perdeu o seu recorde quase dois meses depois, quando outro soviético, Nikolai Pankin, fez 1,06"2, em 18 de Abril.


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Só em três ocasiôes um campeão mundial ganhou o título ocupando a raia 8 na final. O primeiro foi o norte-americano Nick Nevid nos Campeonatos disputados em Berlim-1978. Classificou-se oitavo das eliminatórias dos 200m.peito, só cinco centésimos por diante do japonês Takahashi, com 2,22"34. Numa final muito disputada, sagrou-se campeão mundial com um tempo de 2,18"37, cinco centésimos por diante de um dos favoritos, o soviético Arsen Mishkarov.

O segundo caso foi nos Campeonatos disputados en Perth, em 1991. A australiana Hayley Lewis classificou-se no oitavo lugar das eliminatórias dos 200m.livre, 2,02"77, 21 centésimos de vantagem sobre a britânica Karen Pickering, nona classificada. Na final, a australiana não se deixou surpreender e sagrou-se campeã mundial num tempo de 2,00"48.

O terceiro caso foi o célebre caso da alemã Franziska van Almsick nos Campeonatos de Roma-1994. Classificada no nono lugar das eliminatórias dos 200m.livre, a só treze centésimos da sua compatriota Dagmar Hase, oitava e última classificada para a final, "Franzi" pôde nadar a final graças a Dagmar, que lhe cedeu o seu lugar, na raia nº 8, não se sabe se de bom grado ou graças a algum "presente" da Federação Alemã ou da firma comercial, Arena, que patrocinava "Franzi", e á qual interessava que nadara a final.

Noutras quatro ocasiões, o campeão mundial tem ocupado a raia 1 da final, quer dizer, que se tinha classificado no sétimo lugar das eliminatórias :a australiana Tracy Wickham nos 400m. livres de Berlin-1978; a rusa Elena Volkova nos 200m.peito de Perth-91; a chinesa Aihua Yang nos 400m. livres de Roma-1994, e o australiano Matt Welsh nos 100m.costas de Fukuoka-2001.


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Quais são os nadadores / as. que tem nadado mais finais nestes Mundiais ? :

Nadadores : finais individuais : Michael Gross (RFA-1982/91) 8; Matt Biondi (USA-1986/91) e Frank Espodito (FRA-1991/01) 7, e um grupo de 6 nadadores com 6 finais : Roger Pyttel (DDR-1973/78), Klaus Steinbach (RFA-1973/78), Vladimir Salnikov (URSS-1978/86), Andras Hargitay (HUN-1973/78), Lars Frolander (SWE-1994/01) e Peter v.d.Hoogenband (NED-1998/01).

Nadadoras : finais individuais : Enith Brigitha (NED-1973/78) 9; un grupo de sete empatadas a 7 finais, formado por Shirley Babashoff (USA-1973/75), Tracy Caulkins (USA-1978/82), Claudia Poll (CRC-1994/01), Sandra Völker (GER-1994/01), Susan O´Neill (AUS-1991-98), Inge de Bruijn (NED-1991-01) e Martina Moravcova (SVK-1998/01), e, empatades a 6 finais, um grupo de quatro, Kornelia Ender (DDR-1973/75), Kathy Heddy (USA-1973/75), Mary "T" Meagher (USA-1982/86) e Jenny Thompson (USA-1991-98).


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Quatro nadadores conseguiram três medalhas de ouro numa única edição dos Campeonatos : Tim Shaw (USA) nos 200-400 e 1.500m.livre de Calí-1975; Tracy Caulkins (USA) 200m.borboleta e 200-400m.medley de Berlin-1978; Inge de Bruijn (NED) 50-100m.livre e 50m.borboleta de Fukuoka-2001, e Ian Thorpe (AUS) nos 200-400 e 800m.livre de Fukuola-2001, embora os dois últimos, de Bruijn e Thorpe tenham tido a vantagem do aumento de provas no programa de Fukuoka.

A norte-americana Shirley Babasoff tem sido a única que nadou numa só edição as quatro finais do estilo livre, 100, 200, 400 e 800m.livre (naquele programa não se nadavam a duas provas "extremas", 50 e 1.500m. A americana conseguiu, a mais, medalha em todas elas (ouro nos 200 e 400m., prata nos 100, e bronze nos 800m.). Nos homens, Sven Lodziewski (DDR) tem sido quem esteve a ponto de nadar as finais de todas as provas de livres, ja que nadou as de 400 e 1.500, de Guaiaquil-1982, e as de 100-200 e 400m. de Madrid-1986, embora não conseguiu mais de duas medalhes de prata (200m. em Madrid e 400m. em Guaiaquil); unicamente não pode participar numa final de 50m.livre.

O francês Frank Esposito tem sido o único que tem nadado quatro finais duma mesma prova, os 200m.borboleta, nos Campeonatos de 1991/94/98 e 2001; também nadou três finais nos 100m. borboleta (1994/98 e 2001).

Três nadadores conseguiram "dobrar" os seus dois títulos em duas edições seguidas : Vladimir Salnikov (URSS) 400 e 1.500m.livre em 1978 e 1982. Michael Gross (RFA) 200m.livre e 200m. borboleta e, 1982 e 1986, e Tamas Darnyi (HUN) 200 e 400m.medley em 1986-1991. Só uma nadadora conseguiu isto mesmo, a alemã oriental, Kornelia Ender, nos 100m.livre e 100m. borboleta em 1973 e 1975.

Tracy Caulkins (USA) tem sido, sem dúvida, a nadadora mais completa da história dos mundiais, por participar em finais de cinco especialidades : 4x100m.livre em 1978; 200m. costas em 1982; 100m.peito em 1978; 200m.borboleta em 1978 e 200-400m.medley em 1978 e 1982. Kristin Otto (DDR) ganhou três medalhas de ouro em três estilos diferentes, 100m.livre, borboleta e costas. Nos homens, Klaus Steinbach (RFA) tem sido o único finalista e, três estilos diferentes, livre, costas e borboleta, embora só conseguira uma medalha nos 100m. livre.

Fonte: Swimitup